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As Olimpíadas do Brasil & da Nova Zelândia

Atualizado: 10 de ago. de 2021



Hoje decidi RE-escrever o texto da semana passada por duas razões: Primeiro, porque estamos mudando o layout dos canais da Civisporã e não foi possível fazer o devido anúncio do artigo na semana passada. E segundo, porque o resultado do quadro de medalhas ficou muito mais visual e propício para a análise proposta.


Além do mais, falar sobre olimpíadas é sempre um prazer para quem curte esse evento e fica ligado nas competições que acontecem de 4 em 4 anos (ok, dessa vez levou um pouco mais, por conta da pandemia).


Portanto, olha que interessante esses dados que eu estou trazendo para propor algumas reflexões sobre esportes e a sociedade brasileira na qual você vive.


Brasil e Nova Zelândia terminaram as competições olímpicas lado a lado no quadro de medalhas. O nosso país passou o concorrente da Oceania por uma medalha de bronze a mais. Foram 7 medalhas de ouro e 6 de prata para as duas nações. Mas 8 medalhas de bronze para nós e 7 para eles. Um belo 21 a 20 para o Brasil, que terminou num inédito 12º lugar geral. Mais, aqui.


Mas essa simples comparação não mostra o que estes números realmente mostram.


A projeção da população brasileira pelo IBGE é de quase 215 milhões de habitantes (olha que bacana esse site), enquanto a neozelandesa é de pouco mais de 5 milhões (mais, aqui). Ou seja, enquanto a média brasileira de medalhas por habitantes é de 1 para cada 14,33 milhões de habitantes, a do país oceânico é de 1 para cada 250 mil. É a melhor taxa de medalhas por habitantes do planeta. E o mais interessante disso é que as 20 medalhas neozelandesas estão presentes em 11 esportes diferentes. Número muito próximo ao número de esportes medalhistas brasileiros: 13. Para efeito de comparação, a Austrália possui pouco mais de 25 milhões de habitantes, e fechou o evento com 46 medalhas (média de 1 medalha para cada 543,47 mil habitantes), mas diferentemente do país vizinho, 20 destas 46 medalhas foram alcançadas por um único esporte - a Natação. As outras 26 estão divididas em outros 18 esportes.


Você pode não estar entendendo o motivo destas comparações, mas eu vou explicar aonde quero chegar.


Vamos lá!


Se você acompanha os artigos que eu escrevo para a Civisporã, já deve ter lido esse daqui. Trago esse link justamente porque ele fala sobre a divisão da riqueza do planeta entre os países (se todo o dinheiro do mundo fosse 100 dólares, quanto cada país teria desse valor). Enquanto o Brasil possui 98 centavos com 213 milhões de habitantes e a Austrália possui 2 dólares com 25 milhões, a Nova Zelândia possui 30 centavos com 5 milhões de pessoas em seu território. Em número reais, são 1 trilhão e 70 bilhões de dólares por lá, enquanto nós possuímos 3 trilhões, quinhentos e quarenta bilhões por aqui. Isso dá 16 mil dólares por habitante no Brasil e 212 mil p/hab. na Nova Zelândia (lógico que esses valores não são exatos, mas um norteador próximo da realidade).


Isso significa que existe mais dinheiro para investimentos por lá, que podem ser empregados na capacitação esportiva de pessoas que vivem naquela sociedade.


É lógico que o país é pequeno e a sua população é hegemônica culturalmente (possui hábitos culturais semelhantes), diferentemente do Brasil que é um país continental, com população distinta entre si. Mas o investimento brasileiro ao esporte é infinitamente menor que o deles (até porque temos menos dinheiro por aqui, proporcionalmente falando).


O que me faz pensar que, mesmo com todas as dificuldades, ainda conseguimos fazer milagres. Mesmo sem condições de focar apenas nos esportes, vários atletas que não se sustentam economicamente com ele (precisando trabalhar “por fora”) ainda conseguem atingir o índice olímpico para participar do evento mundial. Ou seja, é coisa de quem tem muita garra e determinação. Uma pena que seja usada de forma romantizada, como a do pobre que consegue realizar um feito incomum para quem não possui condições financeiras para tais feitos.


Eu faço uma analogia da situação do Brasil com a do nadador Bruno Fratus, que conseguiu a medalha de bronze na competição mais rápida da natação - os 50m rasos - mesmo não tendo as características físicas para ser um campeão daquela modalidade. Foi na insistência, nos treinos e, como falamos de vez em quando, na “raça”. Ou seja, mesmo não tendo as condições de justiça social para estarmos entre os países “ricos” que alcançam a média mínima de 1 medalha para cada 3 milhões de habitantes, ainda fazemos muito para um país extremamente desigual e injusto socialmente.


Agora pense se nós tivéssemos uma divisão melhor das riquezas produzidas pela nossa sociedade. Pense se houvesse mais investimento no esporte. Pense na quantidade de medalhas a mais que ganharíamos.


Isso pode parecer bobo para muitos, afinal, o que são medalhas em um país onde metade da população vive com R$ 413,00 por mês (dados de 2019, antes da pandemia), 19 milhões passa fome (mais, aqui), e milhões nem tem onde morar?


Mas é exatamente essa situação que o investimento em esportes possibilita modificar!


Essa semana mesmo eu recebi um vídeo onde várias crianças paraenses de um bairro extremamente carente davam saltos mortais dignos de apresentações de aparelhos de ginástica artística. Imagine o quanto o investimento nestas crianças poderia modificar suas realidades socioeconômicas.


Pode parecer clichê, mas são os sonhos que nos dão impulso a uma vida melhor. São nossas ambições que nos fazem acordar com desejo de trabalho para alcançá-las. Quando não acreditamos que podemos alcançar um sonho, perdemos as expectativas. E é exatamente por isso que precisamos investir nos sonhos esportivos de milhares de brasileiros que não possuem renda e, consequentemente, expectativas de vida, migrando suas ações, muitas vezes, para pequenos delitos e crimes.


Mais uma vez eu afirmo: Precisamos parar de jogar brasileiros no lixo (mais, aqui) e capacitar todos os nossos cidadãos para as diferentes áreas da sociedade, inclusive nas artes e nos esportes, pois assim estaremos investindo em uma sociedade onde, no futuro, poderemos sair despreocupados a noite, sem medo de sermos assaltados, ou agredidos. Onde poderemos andar por ruas sem miseráveis e moradores sem teto. Onde poderemos disfrutar de um meio ambiente saudável e sustentável. E onde o aumento de medalhas no quadro geral será apenas um belo reflexo desse sonho possível.


E é com este sonho que a CIVISPORÃ se dispõe a trabalhar, produzindo camisetas para nós, seres humanos, e nossos amigos peludos, com o propósito de conscientizar a população de que a sociedade atual é o resultado daquilo que somos no dia a dia, e de que nossas atitudes transformam a sociedade, positiva – ou negativamente.


Alguns dos textos estampados nas suas camisetas podem parecer um pouco duros, pois repreendem atitudes prejudiciais; outros apresentam um convite a juntar “lé com cré”; outros são motivacionais. Mas todos eles nos fazem pensar e possuem o mesmo objetivo: lembrar que somos nós que construímos o Brasil e que cabe a nós melhorar a nossa sociedade. Sociedade esta que se iniciou no encontro dos colonizadores portugueses com os nativos indígenas que aqui já viviam.


E é refletindo esse início do nosso país que está estampado o propósito fundamental da CIVISPORÃ:

CIVIS: Sociedade, em Latim.

PORÃ: Boa/m, bonita/o, melhor, em Tupi.

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