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Não se nasce. Torna-se



Como seria o mundo se a ciência fosse dominada pelas mulheres, e não pelos homens?


Como seriam nossas cidades? O nosso dia a dia?


A verdade é que nunca saberemos, pois, a realidade é o extremo oposto dessa suposição.


Mas antes de conversarmos sobre o tema de hoje, convido você a clicar nesse link e escutar uma música que vai te ambientar nele.


--- Pausa para a música iniciar ---


Você sabia que apenas 30% dos cientistas do mundo são mulheres?


Que nos cursos das áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharias e Matemática) somente 35% das matrículas são compostas por elas?


E que a população feminina nessas áreas vai diminuindo conforme os anos de universidade vão passando?


Em 2015, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) propôs uma iniciativa à ONU com o propósito de inspirar e engajar mulheres e meninas a entrarem no mundo da Ciência, e já no dia 11 de fevereiro do ano seguinte foi comemorado o primeiro Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência.


É lógico que essa iniciativa não teve como objetivo apenas uma comemoração em si, mas em investimentos, incentivos e campanhas com o objetivo de mudar a atual realidade, trazendo mais mulheres às áreas do conhecimento que, ainda, são predominantemente masculinas e que geram um mundo de, e para os homens (mas eu chego nisso já, já).


A história da premiadíssima física brasileira Dra. Marcia Barbosa (mais, aqui) prova bem o que as mulheres vivem na ciência. Ela se matriculou em 1978 com outras 7 garotas, num total de 80 calouros, no curso de Física da UFRGS, mas foi a única a se formar, em 1981.


Durante o curso, muitos foram os atos de preconceito, discriminação e misoginia. Aconselho a leitura dessa entrevista com a doutora, que ganhou o importante Prêmio L’Loréal-Unesco para Mulheres na Ciência (mais, aqui, aqui e aqui) em 2013.


São inúmeras as questões que resultam na discrepância entre homens e mulheres no campo científico, tais como rotinas domésticas, maternidade, assédio e machismo.


De acordo com uma pesquisa sobre gênero envolvendo as desigualdades nas áreas STEM, mulheres recebem menos por suas pesquisas e não progridem em suas carreiras na mesma velocidade do que seus colegas homens.


Ela aponta a diminuição da produtividade de publicações e atraso no avanço da carreira por conta da rotina doméstica ser mais pesada para as mulheres (em média 10 horas a mais por semana, em relação aos homens), além da maternidade (mais, aqui).


Já uma pesquisa da UFRGS, de 2019, sobre percepção de assédio moral e sexual relativo a gênero, mostra que 52% das docentes afirmaram terem sido assediadas de forma moral, ao passo que 31% de seus colegas homens relataram a mesma violência.


Quanto ao assédio sexual, a mesma pesquisa da universidade gaúcha mostra que 14% de mulheres sofreram essa experiência, enquanto 5,9% de homens alegaram o mesmo.


A própria Dra. Marcia Barbosa critica a forma como as decisões são tomadas nas áreas de ciência e política científica: “majoritariamente por homens”, diz ela (mais, aqui).


Além da própria desigualdade em si, o resultado de tal desigualdade é que mundo acaba sendo feito por, e para homens, em todas as áreas possíveis e imagináveis, como trabalho, saúde, segurança...


Repare o mundo a sua volta com mais atenção.


Bonecos de testes de colisão possuem um tamanho baseado no homem médio, deixando as mulheres (em média mais baixas) mais propensas a problemas sérios, inclusive risco de vida, em casos de acidente.


A temperatura padrão de escritórios é embasada em estudos sobre o metabolismo... do homem. E um estudo recente holandês mostra que mulheres jovens possuem uma taxa metabólica 35% menor que a dos homens. Isso significa que a temperatura do escritório fica mais frio para elas 5 graus.


O artigo do jornal inglês The Guardian, The deadly truth about a world built for men – from stab vests to car crashes, mostra outras questões que sugiro imensamente que você o leia. Ele é grande, está escrito em inglês (nada que o tradutor do Google não resolva), mas é extremamente esclarecedor... principalmente se você que está “conversando” comigo for do gênero masculino (faz essa forcinha... são uns 10 minutos)


A ONU inseriu no seu programa de Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para a Agenda 2030 o ODS 5 - Igualdade de Gênero (mais, aqui) para ajudar a reverter estas desigualdades, onde o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência é apenas a ponta do iceberg de inúmeras ações (mais, aqui)


Mas você também pode ajudar a mudar esse cenário, apoiando ações que possam trazer mais e mais mulheres em posições de estudos, pesquisas, políticas e decisões em áreas cruciais na construção do nosso admirável mundo tecnológico, já que, em 2050, as áreas STEM representarão cerca de 75% dos postos de trabalho, segundo a UNESCO (mais, aqui).


E é com essa vontade enorme de promover uma justiça e equidade entre os genêros dentro de todas as áreas da nossa sociedade que a Civisporã elabora o seu trabalho, seja na publicação de conhecimento nos seus canais, seja produzindo camisetas para nós, seres humanos, e nossos amigos peludos.


Sempre com o propósito de sensibilizar a população de que a sociedade atual é o resultado daquilo que somos no dia a dia, e de que nossas atitudes transformam a sociedade, positiva – ou negativamente.



Alguns dos artigos apresentados aqui no Sermoré da Civisporã, ou nos textos estampados nas suas camisetas, podem parecer um pouco duros, pois repreendem atitudes prejudiciais; outros apresentam um convite a juntar “lé com cré”; outros são motivacionais.


Mas todos eles nos fazem pensar e possuem o mesmo objetivo: lembrar que somos nós que construímos o Brasil e que cabe a nós melhorar a nossa sociedade. Sociedade esta que se iniciou no encontro dos colonizadores portugueses com os nativos indígenas que aqui já viviam.


E é refletindo esse início do nosso país que está estampado o propósito fundamental da CIVISPORÃ:

CIVIS: Sociedade, em Latim.

PORÃ: Boa/m, bonita/o, melhor, em Tupi.

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