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O Reino de CLICK

Atualizado: 24 de jul. de 2021



Para o artigo de hoje, resolvi contar – de forma resumida – um conto de ficção científica que ainda não publiquei. Para que você tenha uma percepção mais vívida desta história, peço que visualize tudo o que for lendo e coloque-se em estado de passividade, pois você é um dos personagens dela.


O ano é 2021 e algumas naves espaciais acabam de chegar ao nosso planeta. Elas pousam em diferentes locais do globo e, delas, seres extraterrestres – muito semelhantes à nossa imagem – descem visivelmente cansados. Logo descobrimos que eles levaram alguns meses viajando entre os dois mundos, numa viagem intergaláctica extremamente árdua e tormentosa.


Durante as primeiras semanas aqui na terra, todos os visitantes são tratados e cuidados como se humanos fossem, afinal, meses de viagens e problemas a bordo das espaçonaves levaram inúmeros deles a óbito.


Após se reestabelecerem, os “amigos das estrelas” – como ficaram conhecidos entre nós – começam a mostrar ao que realmente vieram. Alimentam intrigas e sucessivas guerras entre os diferentes povos do nosso planeta. Instituem um processo de extração de minerais que são enviados ao seu mundo de origem, iniciando um regime de escravização de seres humanos. Para isso, muitas outras naves já chegaram para dar apoio e trazer mais deles, que passam a viver entre nós, roubando nossas terras, nossos mares, rios e cidades.


Na sua bagagem, trouxeram também a sua cultura – seus hábitos e vestimentas, suas verdades e... sua fé: CLICK, o deus supremo de todo o universo. Nenhum ser – da galáxia que for – renascerá no paraíso, após a morte, se não for crente em CLICK.


Como nenhum povo terrestre jamais ouvira falar de CLICK, e preservavam suas crenças em deuses diferentes, mantendo-se contrários a ter que adorar o novo deus, deu-se início a “catequização” forçada de todos nós, seres humanos, que acabamos sendo considerados selvagens, preguiçosos e vagabundos, pois, além de tudo, e diferentemente deles, ainda precisávamos dormir 8 horas por dia – necessidade da qual os visitantes não mais precisavam.


Duas ou três nações chegaram a estabelecer acordos com os extraterrestres, guerreando com inúmeras outras, objetivando obter algum privilégio. Aliás, esta foi a forma que os extraterrestres conseguiram dominar 90% do planeta. Mas enganaram-se os países que acharam que iriam ganhar alguma coisa. No final, os “amigos das estrelas” dominaram todo o planeta e mantiveram a exploração de tudo o que tínhamos, inclusive nossas vidas.


Mulheres foram roubadas e transformadas em serviçais. Crianças foram catequizadas e muitas já não acreditavam mais em Cristo, Alá, Buda, Shiva, ou qualquer outra de nossas divindades. Muitos homens foram mortos em batalhas. Mas ao fim, fomos colocados à margem da sociedade que eles construíram por aqui, no nosso pequeno planeta azul.


Nessa altura do campeonato, a maioria de nós ainda lutava pelo direito de manter nossas culturas e costumes passando a chamar os tais “amigos” de “saqueadores das estrelas”.


Devido ao fato de sermos considerados preguiçosos (lembre-se que nós precisamos dormir entre um dia e outro) e combativos à nova sociedade instaurada, os saqueadores decidiram trazer à Terra seres extraterrestres de outros planetas, invadidos por eles, e com quem faziam negócios, há algum tempo. Estes seres trazidos por eles chegavam aos milhares para trabalhar de forma escrava nas minas e nos campos de cultivo de chuchu. Sim, eles amavam – e ainda amam – chuchu. E essa “iguaria” já era o maior responsável pelo poder econômico intergaláctico instaurado no planeta Terra.


Com diferentes culturas, os costumes dos seres trazidos e escravizados pelos “saqueadores” foi se mesclando com a nossa e com a dos próprios saqueadores e adoradores de CLICK. Mas ele, CLICK, era o ser supremo. Aquele que não acreditasse em CLICK arderia no fogo do inferno.


Para você ter ideia, milhares de batalhas haviam sido travadas pelos invasores em diferentes planetas e galáxias em nome de CLICK. Todas invasões, extermínios e explorações tinham como pretexto e justificativa levar seu nome universo afora. Muito sangue fora derramado pelo universo, e agora, todo esse sangue vinha sendo derramado aqui, na nossa casa, no nosso Planeta Terra. Sangue da nossa gente e, inclusive, de familiares seus.


Com o tempo, mais e mais pessoas do planeta dos saqueadores foram chegando ao nosso, com documentos emitidos por lá e que comprovavam que haviam comprado nossas terras, nossas casas – sem que ao menos recebêssemos alguma coisa por isso. A propósito, sua casa foi invadida e você foi forçada/o a seguir as normas e culturas dos invasores, inclusive a adorar CLICK. Até tentamos enfrentá-los com nossos tanques, navios e aviões de combate, mas nossas armas pareciam primitivas em comparação às dos saqueadores, que agora já detinham tudo que era nosso.


Pouco mais de 500 anos se passaram desde a chegada dos primeiros visitantes. A maioria de nós padeceu e os que sobraram foram marginalizados e considerados ralé da sociedade, que agora é deles e comandada por eles... os “amigos das estrelas” e seus descendentes.


Temos muito pouca representatividade no poder e nossos clamores, quando ouvidos, são tratados como desejos de vagabundos e blasfemos, assim como os clamores dos descendentes dos escravizados – que aqui se perpetuaram, também à margem da sociedade criada por eles.


Essa história não acaba aqui, mas pergunto a você:


Você conseguiu se ver presente nessa história? Se sentiu invadida/o e roubada/o? Se sim, o que sentiu pelos invasores que obrigaram você a seguir suas normas e cultura? A adorar CLICK? Como se sentiu ao ser considerada/o preguiçosa/o por ter hábitos diferentes dos deles, como dormir entre um dia e o seguinte? Como se sentiu vendo seus familiares e amigos sendo mortos? Sua casa saqueada e roubada? Como se sentiu em ver seu mundo sendo literalmente roubado de você e dos seus, por um povo que chegou de longe e extraiu tudo o que tinha, instaurando uma sociedade da qual você não vale nada?


Você sabia que essa história é real?


Sim, ela realmente aconteceu e continua acontecendo, todos os dias, desde 1492, quando Colombo desembarcou no Novo Mundo. E aqui no Brasil, a história não é diferente.


A pergunta que eu faço agora é: Como você se vê na História/Presente real neste momento após ler este artigo?


PAUSA PARA PENSAR


Antes de se falar qualquer coisa referente às culturas dos povos que viviam – e ainda vivem – em terras brasilis (assim como nas demais desse imenso continente chamado América), é preciso falar sobre um elemento que deve ser, de uma vez por todas, internalizado dentro do mais profundo local do nosso ser: EMPATIA.


É a EMPATIA que permite nos desenvolver como sociedade através da compreensão do outro. Esse outro que possui cultura diferente da minha, que possui hábitos, interesses, desejos, histórias, fés, artes, tradições... diferentes das minhas. E veja bem, estou falando em EMPATIA, o que não significa tolerar intolerância (tema para um próximo artigo). Sem empatia não é possível haver RESPEITO.


E o intuito de contar essa historinha foi justamente esse: colocar você na posição de cada um dos habitantes desse imenso continente, que foram sendo colonizados, saqueados, catequizados, degredados e desmoralizados. Da mesma forma como os escravos que para as colônias foram sendo trazidos, e que, durante o processo histórico que se passou, foram jogados à margem da nossa sociedade, desprovidos de oportunidades iguais, conhecimento de qualidade, infraestrutura, dignidade e, principalmente: RESPEITO.


Não importa o nome do seu deus, ou a religião que você segue. RESPEITO, além de ser a base de qualquer religião, é a base de construção da Declaração Universal dos Direitos Humanos. São 30 artigos que eu convido você a conhecer, acessando esse link – é rapidinho.


Ah! E se essa declaração é UNIVERSAL, ela serve, também, aos adoradores do deus CLICK.


PS: Em momento algum sugestiono menosprezar, ou desrespeitar o cristianismo, assim como quaisquer outras religiões. Como abordado anteriormente, RESPEITO é a base de qualquer sociedade plural e heterogênea, como as existentes no nosso pequenino planeta azul.


Finalizo esse texto como todos os demais, explicando que a CIVISPORÃ é uma marca de camisetas para nós, seres humanos, e nossos amigos peludos, que tem como propósito conscientizar a população de que a sociedade atual é o resultado daquilo que somos no dia a dia, e de que nossas atitudes transformam a sociedade, positiva – ou negativamente.


Alguns dos textos estampados nas suas camisetas podem parecer um pouco duros, pois repreendem atitudes prejudiciais; outros apresentam um convite a juntar “lé com cré”; outros são motivacionais. Mas todos eles nos fazem pensar e possuem o mesmo objetivo: lembrar que somos nós que construímos o Brasil e que cabe a nós melhorar a nossa sociedade. Sociedade esta que se iniciou no encontro dos colonizadores portugueses com os nativos indígenas que aqui já viviam.


E é refletindo esse início do nosso país que está estampado o propósito fundamental da CIVISPORÃ:

CIVIS: Sociedade, em Latim.

PORÃ: Bom, bonito, melhor, em Tupi.


Até a próxima e que todos nós, brasileiros, tenhamos a nossa desejada CIVISPORÃ!



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