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Cidadão de Bem

Atualizado: 24 de jul. de 2021



Antes de começar este texto, peço licença àqueles que preferem textos com técnicas de escrita inclusiva de gênero, pois, como ainda não as domino, utilizo o termo CIDADÃO – no masculino, me referindo a todos os espectros de gênero conhecidos pela ciência. Sei que esse tema é um embate entre muitas pessoas de ideologias e crenças divergentes, mas acredito que todos somos cidadãos. Portanto, a todos aqueles que se sentirem excluídos de alguma forma pela forma da minha escrita, peço humildemente a sua compreensão.


Vamos lá?


CIDADÃO DE BEM


Você consegue se lembrar quantas vezes escutou esse termo nos últimos tempos? Sabe definir o que é um cidadão de bem e quais as qualidades necessárias para ser considerado um?


Nesse artigo, vou discutir a definição da palavra cidadão, o que é necessário para ser considerado um e como o complemento “de bem” interfere no seu significado.


De acordo com o Dicionário Aurélio, são 3 as definições para a palavra “cidadão”:

  • Indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um Estado, ou no desempenho de seus deveres para com este;

  • Habitante de uma cidade;

  • Indivíduo, homem, ou sujeito.

Porém, o termo abrange muito mais do que os 3 significados apresentados pelo famoso dicionário, e cada área do conhecimento humano define o que é ser cidadão de acordo com o seu objeto de estudo. Por exemplo: o direito o define de uma forma, a sociologia de outra, a filosofia de outra ainda, e assim por diante. Porém, todos os seus significados, embora diferentes, não são antagônicos entre si, ou seja, não divergem, nem se chocam uns com os outros. Na verdade, eles se complementam.


Para ilustrar, vou apresentar três definições de cidadão – uma de cada uma das três áreas descritas anteriormente – de modo a não cansar você. Mas lembro que todas estas áreas do conhecimento – direito, sociologia e filosofia – assim como muitas outras, possuem mais definições e, portanto, aconselho o aprofundamento em leituras sobre o tema.


O direito indica que ser cidadão é possuir direitos – civis, políticos e sociais – positivados (colocados em lei). Significa agir de acordo com a norma jurídica, seja cumprindo deveres, ou exigindo direitos. Um adendo aqui: logo teremos artigos específicos sobre direito, e num futuro breve, falaremos sobre leis.


A sociologia diz que ser cidadão é sentir-se pertencente a uma determinada sociedade, ser seu protagonista e atuar na defesa do bem coletivo. É pensar e agir pelo todo, atuando na construção de uma sociedade mais igualitária, para o seu próprio bem e proteção (a palavra “bem”, aqui, significa um conjunto de benefícios ou de coisas que provocam coisas positivas).


A filosofia constata que ser cidadão é ter consciência de que tanto seus atos quanto suas omissões causam um impactam na sociedade e, consequentemente, em si mesmo.


Consegue perceber que todas as definições apresentadas se complementam? Vivemos em uma sociedade com direitos e deveres iguais para todos em prol de um convívio harmônico entre seres com pensamentos, ideologias, crenças, vivências, diferentes entre si. Como todos os nossos atos e omissões impactam a sociedade em que vivemos, precisamos viver em respeito uns com os outros, independentemente das diferenças que nos separam.


Assim, ser cidadão implica em respeitar o próximo, em todo o sentido, independentemente de raça, cor, religião, condição sexual, ideologia política, e quaisquer outros direitos, já que o próximo também é um cidadão.


Agora vamos ao termo “de bem”.


Pelo fato da palavra “bem” possuir inúmeras definições no dicionário, como aquela descrita anteriormente, vou apresentar apenas três que condizem com o que alguém quer dizer quando usa o termo “cidadão de bem”.


  • Qualidade atribuída a ações e a obras humanas que lhes confere um caráter moral (esta qualidade se anuncia através de fatores subjetivos que levam à busca e à definição de um fundamento que os possa explicar);

  • Austeridade moral, virtude;

  • Conjunto de princípios fundamentais propícios ao desenvolvimento e ao aperfeiçoamento moral, quer dos indivíduos, quer da comunidade.


Podemos notar que é o fator MORAL que dá qualidade e significado ao termo “BEM” apresentado. Desta forma, ser um cidadão de bem significa ser um cidadão de determinada moral, de acordo com uma moral específica, com os valores de uma determinada sociedade.


E é exatamente aí que reside um impasse gigantesco, pois, embora o direito se utilize dos valores morais de uma determinada sociedade para a construção de suas leis, há muitas questões morais que, ao mesmo tempo que são consideradas por uma parte da sociedade, não as são por outras.


Por exemplo: cristãos entendem que amar a Deus sobre todas as coisas é um valor moral para eles. Logo, todos aqueles que assim vivem são pessoas “de bem”, e os demais, não. E se entrarmos no universo cristão veremos mais divergências. Dentro da visão católica, que reverencia santos, os evangélicos (que não acreditam neles) podem não ser considerados “de bem” (este exemplo serve apenas para elucidar o tema deste texto, e não implica em qualquer preconceito por parte deste que escreve).


Ou seja, o valor moral que define alguém ser, ou não, “de bem” está atrelado a crenças, dogmas, mandamentos religiosos, entre outros. Portanto, passíveis de um subjetivismo (opinião e sentimento do próprio sujeito) muito grande, e um dos principais motivos pelo qual o Estado deve ser laico. Já pensou se o Brasil tivesse suas leis de acordo com a religião dominante? Como viveriam aqueles que não pertencessem a ela? Lembre-se que ainda há inúmeros países que possuem leis atreladas à uma religião dominante e que vivem em pé de guerra até hoje.


Mas existe, ainda, casos em que determinada pessoa se julga cidadão “de bem” porque não comete determinado crime, como roubar – ou matar, mas sonega imposto com a desculpa de que os políticos roubam, ou assedia pessoas julgadas inferiores por não possuírem o mesmo grau de instrução, não serem da mesma raça, do mesmo sexo, etc. Em outras palavras, se considera cidadão “de bem” porque não comete crimes mais relevantes, esquecendo-se de que comete crimes menos repudiantes (dentro do seu ponto de vista).


O ponto é que todos somos cidadãos. Pagamos impostos e fazemos parte da mesma sociedade brasileira. E isso indica que somos regidos pela mesma Constituição que, no seu artigo 5º dispõe os direitos individuais em todos os seus 78 incisos. Ou seja, já temos leis que nos regem, baseadas em uma moral que condiz com a pluralidade da nossa sociedade. E caso você não saiba, a Constituição Brasileira de 1988 é considerada uma das mais modernas do mundo, e por países considerados desenvolvidos. Ela só precisa ser seguida por todos nós brasileiros (assim como as demais leis que nos regem) , se quisermos realmente ser considerados cidadãos “de bem”.


Clique nesse link e conheça mais sobre os direitos individuais dos cidadãos brasileiros. Pode ser que você se surpreenda ao notar que não é tão cidadão “de bem” como pensava. E se isso acontecer, não se culpe. Todos nós somos seres humanos, nos equivocamos e podemos melhorar a cada dia que passa. O primeiro movimento é enxergar os próprios erros, para depois poder corrigi-los.


Acredito que devemos valorizar muito aqueles “toques” que ganhamos daqueles que realmente se importam conosco, tipo aqueles que nos avisam quando o nosso nariz está sujo. E é por isso que eu acredito muito no espírito da CIVISPORÃ, uma marca de camisetas para nós, seres humanos, e nossos amigos peludos, que tem como propósito conscientizar a população de que a sociedade atual é o resultado daquilo que somos no dia a dia, e de que nossas atitudes podem transformar a sociedade, positiva – ou negativamente.


Alguns dos textos estampados nas camisetas podem parecer um pouco duros, pois repreendem atitudes prejudiciais; outros apresentam um convite a juntar “lé com cré”; outros são motivacionais. Mas todos eles nos fazem pensar e possuem o mesmo objetivo: lembrar que somos nós que construímos o Brasil e que cabe a nós melhorar a nossa sociedade. Sociedade esta que se iniciou no encontro dos colonizadores portugueses com os nativos indígenas que aqui já viviam.


E é refletindo esse início do nosso país que está estampado o proprósito fundamental da CIVISPORÃ:

CIVIS: Sociedade, em Latim.

PORÃ: Bom, bonito, melhor, em Tupi.


Até a próxima e que todos nós, brasileiros, tenhamos a nossa desejada CIVISPORÃ!

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