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Mirtilos e Morangos



No artigo passado eu falei sobre Economia Solidária, e como ela pode ajudar a diminuir as desigualdades sociais na nossa sociedade, assim como abordei rapidamente sobre a necessidade do consumo consciente, ou seja, a compra de produtos e/ou serviços de instituições que possuem ações que transformam positivamente a sociedade, ou políticas ESG nos seus negócios (mais, aqui).


No artigo de hoje eu continuo falando de consumo, só que de uma forma um pouco diferente, pois eu vou abordar o momento final do relacionamento de compra que existe entre você e as empresas que vendem alguma coisa para você.


Mas antes de começarmos, peço que você clique neste link e toque a música que separei para você escutar durante a nossa conversa de hoje. Tem tudo a ver.


Sempre que você faz algum negócio com alguém que envolva dinheiro, uma porcentagem sobre esse valor é cobrada pela instituição que organiza a nossa sociedade: o Estado. Esse grande "síndico" do "condomínio" que vivemos e que presta serviços para todos nós, de modo que a gente possa viver da melhor forma possível.


São tantas coisas que precisam ser feitas nesse “gigantesco condomínio” que ele é dividido em “categorias” em países como o Brasil: União, Estados e Municípios. E cada uma dessas “categorias” é responsável por diferentes tipos de serviços que consumimos.


Por exemplo: A rua por onde transitamos é responsabilidade do poder municipal das nossas cidades. Já o Estado onde cada cidade se encontra presta serviços de Segurança (como a Polícia Ostensiva - Militar - e a Polícia Investigativa - Civil), de Justiça (Civil e Criminal, por exemplo), entre outros. E por fim, a competência do Governo Federal está em serviços maiores, como a defesa territorial, a organização federal, entre milhões de serviços prestados.

Ou seja, cada um destes “entes” precisa recolher dinheiro dos habitantes desse gigantesco “condomínio” para custear tais serviços, os chamados Impostos, Taxas e Contribuições (para saber a diferença entre eles, clique aqui).


Uma grande parte desse dinheiro vem dos impostos cobrados sobre negociações de consumo (seja de produtos ou de serviços). Isso vale para a compra do pão na padaria, para o pagamento do curso de idiomas, para a lavação do carro, para a compra de roupa... Pouco importa qual o negócio. A empresa que oferece um produto, ou um serviço, precisa pagar o imposto referente a essa negociação.


Quando o dinheiro arrecadado pelo Estado é maior do que o seus gastos, dizemos que há um superávit. E quando o dinheiro arrecadado é inferior a eles, dizemos que há um déficit.


Como você deve saber, estamos sempre em déficit. E os motivos são inúmeros.


Enquanto muitos destes motivos que nos colocam anualmente em déficit são frutos da má administração e corrupção por parte dos gestores públicos (aumentando as dívidas desse "gigante condomínio") um deles recai sobre os seus moradores: a sonegação de impostos.


Sim! A quantidade de “cidadãos” e “cidadãs” que sonega imposto é tão grande quanto o nosso país. Para você ter ideia, o Brasil chega a perder quase meio trilhão de reais POR ANO, com sonegação de impostos (só por parte das empresas) sendo o ICMS, o imposto mais sonegado (mais, aqui).


Então fica uma pergunta: O problema está nos políticos, ou está na população de onde os políticos surgem? E pra mim, essa pergunta é bem mais fácil para responder do que a famosa “quem nasceu primeiro, o ovo, ou a galinha?”.


Veja bem, eu não estou falando sobre o roubo do dinheiro público por parte dos gestores. Eu estou falando do roubo de dinheiro público que acontece antes dele chegar nas mãos dos gestores públicos.


Muitos me dizem que preferem sonegar, e que sonegam sempre que podem, já que o governo rouba. E me pergunto se essa lógica é a mais assertiva, principalmente no país com a maior desigualdade social dentro do grupo dos países mais ricos do planeta.


Pra falar a verdade, estamos TÃO fora do compasso da verdadeira cidadania, que as vezes me bate uma certa frustação.


Para você ter ideia, dia desses eu fui até uma loja que, baseado no tamanho e nas vendas, não era uma MEI (Micro Empreendedor Individual), logo, deve entregar aos clientes as Notas Fiscais de todas as vendas que efetua.


Lá eu comprei uma caixa de máscaras descartáveis com dinheiro e, ao receber o troco, sem a Nota Fiscal de compra, pedi que a atendente do caixa me fornecesse o documento.


A sua resposta foi aquela que volta e meia recebo de alguns estabelecimentos que não gostam de comprovar ao Estado aquilo que vendem, de modo a não pagar imposto: “O sistema está fora do ar, senhor” (a culpa é sempre do sistema).


Informei gentilmente que precisava da NF, pois era uma compra que iria entrar na contabilidade da empresa e... logo... eis que o sistema voltou a funcionar (quase que por um passe de mágica).


Mas o pior de tudo nem foi a atitude da caixa (que deve seguir ordens da direção do estabelecimento). O pior foi perceber os olhares fulminantes das pessoas da fila... COMIGO.


Porque, ao ter que emitir a Nota Fiscal, a moça do caixa teve que entrar no sistema Legal do estabelecimento para gerá-la. O que demorou um certo tempo.


Uma senhora me olhava e bufava como se eu estivesse pedindo uma coisa ao qual a loja não tinha obrigação de dar e eu não tinha o direito de receber (de forma ágil).


Quer dizer. Eu já tive que inventar uma história de que precisava do documento para a contabilidade da empresa para receber o Cupom Fiscal, cuja entrega é obrigatória. E ainda fiquei por chato na história.


Parece até que a atitude é proposital, pois as pessoas da fila não querem esperar, então não exigem o cupom fiscal, e fica por isso mesmo. E quando alguém deseja receber o documento, se sente coagido em pedi-lo, para não ser censurado pelos olhares das demais pessoas da fila.


A sensação que eu tenho é que muita gente não se importa com esses “pequenos” delitos.


Mas prefiro acreditar que, na realidade, é ignorância mesmo... falta de conhecimento sobre o assunto. E por isso a necessidade de falar, e falar, e falar sobre isso com o máximo de pessoas possível.


Precisamos mudar de mentalidade urgentemente, porque não adianta reclamar do político que rouba, se no nosso dia a dia, esse tipo de roubo está normatizado.


Se os nossos governantes não estão fazendo a coisa correta, precisamos cobrar que o façam e há meios para isso (e que estão cada vez mais eficazes). Mas precisamos fazer a nossa parte. Do contrário, merecemos cada um daqueles políticos que lá estão fazendo “arte”.


E não adianta dar a desculpa de que há uma diferença entre sonegar alguns poucos reais e roubar milhões, pois fica sempre a pergunta: “Será que se a pessoa tivesse acesso a milhões, não faria o mesmo que os políticos de quem tanto reclama?”


Imagine que a nossa sociedade é uma caixinha de frutas, onde você encontra poucos morangos ao redor de muitos mirtilos. A probabilidade de termos políticos mirtilos é muito maior do que a de termos políticos morangos (e essa comparação não se aplica apenas ao universo da política).


Sonegar impostos com a desculpa de que os políticos roubam não pode mais ser atitude de alguém que deseja uma sociedade melhor. É preciso refletir, mudar hábitos e: exigir a Nota Fiscal.


Precisamos mudar os nossos hábitos, para que vejamos uma mudança na sociedade.


E é com esse imenso desejo de que mudemos a nossa forma de agir, que a Civisporã elabora o seu trabalho, seja na publicação de conhecimento nos seus canais, seja produzindo camisetas para nós, seres humanos, e nossos amigos peludos. Sempre com o propósito de conscientizar a população de que a sociedade atual é o resultado daquilo que somos no dia a dia, e de que nossas atitudes transformam a sociedade, positiva – ou negativamente.




E é refletindo esse início do nosso país que está estampado o propósito fundamental da CIVISPORÃ:

CIVIS: Sociedade, em Latim.

PORÃ: Boa/m, bonita/o, melhor, em Tupi.

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