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Vira Latas



Me deparei com um pequeno texto, que recebi de um amigo e que gostaria muito de dividir com você na conversa de hoje.


Diz assim:


“Ver os filhos passar fome é passar fome. Comer lixo é passar fome. Comer o resto do prato dos outros é passar fome. Comer apenas uma vez por dia é passar fome. Ter que humilhar-se para receber uma cesta básica é passar fome. Trocar dignidade por comida é passar fome. Ter medo de passar fome é estar prisioneiro da fome.


Isso tudo é fome. Mas antes de irmos além, peço que você acesse esse link, para termos uma música de fundo, enquanto falamos sobre o tema de hoje.


--- Pausa para a música iniciar ---


Se você me acompanha nos artigos que escrevo para o Sermoré da Civisporã, já deve ter se deparado com a famosa Pirâmide de Maslow em alguma de nossas conversas (aquela que elenca todas as necessidades do ser humano de forma hierarquizada). Mais, em Necessidades e Desejos.


A primeira necessidade de todo ser humano é aquela chamada de Necessidade Fisiológica, onde estão as necessidades mais básicas para podermos viver, como respiração, água, comida, sono, sexo, excreção, e todas as demais condições necessárias para que o corpo realize suas funções adequadamente, para se manter equilibrado.


Depois do Brasil ter saído do mapa da fome da ONU, em 2014, (mais, aqui e aqui), essa chaga voltou para as nossas cidades com força total. Dos quase 220 milhões de habitantes, pouco mais da metade vive com algum grau de insegurança alimentar, e 19 milhões passam fome... literalmente (mais, aqui).


O resultado é pior para as crianças, que apresentam má formação do corpo, déficit cerebral, impossibilitando o desenvolvimento de órgãos e a capacidade cognitiva. Mas idosos e gestantes também correm risco de vida iminente (mais, aqui).


É preciso entender como um país como o nosso - que muitos se orgulham em dizer que é o produtor da comida do mundo - tem pouco mais da metade de sua população passando por insegurança alimentar e quase 10% faminta.


É aquela velha história que já conhecemos muito bem. Somos autossuficientes em petróleo, mas todos os produtos derivados dele são caros demais para a nossa população.


O mesmo serve para o café, cacau...


Mas quando falamos de produção de alimentos, precisamos entender que tipo de alimentos o Brasil produz e, principalmente, para quem.


A maior parte dos produtos agrícolas produzidos por aqui são grãos, como soja e milho, que são utilizados para a fabricação de ração animal. Mais ou menos 70% da soja exportada é utilizada para esse fim (mais, aqui).


Recomendo imensamente a leitura deste artigo, do site O Joio e o Trigo. Ele trás críticas científicas a respeito do famoso slogan de que garantimos a segurança alimentar de 1 bilhão de pessoas no mundo... ainda mais que não conseguimos garantir a de metade da nossa própria população.


O Brasil é um país que focou sua matriz econômica na produção e exportação de commodities, que são bens sempre mais baratos que os produtos que empregam alto grau de industrialização, ou transformação.


Basta ver a relação de preço entre o café in natura e uma capsula de Nespresso, por exemplo.


Esse é um dos motivos pelo qual o Brasil não é tão rico (economicamente falando) quanto a Alemanha, que possui menos de 1/3 da nossa população e uma área quase 24 vezes menor que a nossa.


Agora, pensa comigo se toda a nossa população fosse capacitada. Imagina o que poderíamos fazer com toda a riqueza natural que existe por aqui.


E quando eu falo em capacitação, eu falo em garantia de cidadania. Com alimentação, moradia, vestuário, educação, saúde, lazer e humanização assegurados.


Metade da nossa população foi jogada no lixo. Literalmente. E eu não canso de repetir isso nas nossas conversas.


E por quê?


Uma das respostas eu acabei de falar há pouco.


Mas para aqueles que não se importam com isso, eu sempre tento lembrar que, quem convive com a realidade causada pela fome e gigantesca desigualdade do nosso país, sou eu, você e a esmagadora maioria de brasileiros e brasileiras que têm medo de andar pelas ruas e calçadas esburacadas das cidades (repletas de gente passando fome) da nossa sociedade.


Sou eu, você e essa esmagadora maioria da população (acima de 90% dela) que tem medo de ser sequestrada, roubada, violentada (mais, aqui).


Aqueles que possuem jato(s) executivo(s), helicóptero(s), carros blindados e seguranças não convivem com a realidade que eles próprios produzem.


Para esses, a realidade em que vivemos passa longe.


E é por isso que eu sempre digo que o seu bem-estar depende diretamente do bem-estar de toda a nossa sociedade.


Do contrário, estaremos mantendo um ciclo onde, como dizia Paulo Freire, “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”.


E como temos opressores poderosos na nossa sociedade, não?


É por isso que a Civisporã promove a ideia dessa capacitação cidadã de que falei anteriormente, seja na publicação de conhecimento nos seus canais, seja produzindo camisetas para nós, seres humanos, e nossos amigos peludos.


Sempre com o propósito de sensibilizar a população de que a sociedade atual é o resultado daquilo que somos no dia a dia, e de que nossas atitudes transformam a sociedade, positiva – ou negativamente.



Alguns dos artigos apresentados aqui no Sermoré da Civisporã, ou nos textos estampados nas suas camisetas, podem parecer um pouco duros, pois repreendem atitudes prejudiciais; outros apresentam um convite a juntar “lé com cré”; outros são motivacionais.


Mas todos eles nos fazem pensar e possuem o mesmo objetivo: lembrar que somos nós que construímos o Brasil e que cabe a nós melhorar a nossa sociedade. Sociedade esta que se iniciou no encontro dos colonizadores portugueses com os nativos indígenas que aqui já viviam.


E é refletindo esse início do nosso país que está estampado o propósito fundamental da CIVISPORÃ:

CIVIS: Sociedade, em Latim.

PORÃ: Boa/m, bonita/o, melhor, em Tupi.

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