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A Obesidade e os 98 Centavos

Atualizado: 8 de set. de 2021




Depois dos pedidos para escrever mais sobre BILIONÁRIOS & DESIGUALDADES, assim que escrevi o artigo A MISÉRIA NOSSA DE TODO DIA, pensei em escrever mais dois textos, enquanto escrevia COMO NASCEM AS ESTRELAS, pra fechar a ligação entre os temas em formato de trilogia, já que, falar sobre assuntos tão complexos e importantes com apenas mil e poucas palavras é inviável, e um texto com mais de 3 mil poderia espantar os leitores. Portanto, o artigo de hoje encerra a trilogia “BILIONÁRIOS & DESIGUALDADES”, embora não esgote o tema.


Considere uma questão: os dados apresentados aqui, quando comparados a outros (como riqueza medida pelo PIB, ou pela paridade de poder de compra, por exemplo) podem influenciar em alguma diferença numérica, mas não grande o suficiente a ponto de mudar a realidade, assim como o objetivo de reflexão deste texto. No final dele, disponibilizo links com outros dados. Se você tiver mais, por favor, compartilhe com a gente nos comentários.


Pergunta antes do início do “papo”: O que o aumento da obesidade da população tem a ver com pobreza?


Enquanto você pensa, observe a imagem abaixo, que mostra a divisão de toda riqueza do planeta entre seus países (link na imagem), para iniciarmos algumas análises.


Como a imagem apresenta valores na casa dos bilhões e trilhões de dólares, acho mais didático visualizá-los no formato de porcentagem, imaginando que toda a riqueza do mundo esteja contida em uma nota de 100 dólares, facilitando as análises que proponho.


Só os EUA, sozinhos, possuem quase 1/3 de toda a “bufunfa” do mundo, com USD 29,39. A China, com população +/- 4 vezes maior que a americana, possui USD 17,70. E o Japão, com 126 milhões de habitantes (pouco mais que a metade da nossa) tem 7 dólares.


O Brasil (213 milhões de habitantes, IBGE) está em 16º lugar entre os quase 200 países do planeta, com USD 0,98. A Austrália, com pouco mais de 10% da nossa população (25 milhões de habitantes), tem exatos 2 dólares - o dobro do que temos. Pra finalizar as análises, o continente africano todinho, com seus 1,216 bilhão de pessoas (quase 6 vezes a população brasileira) tem só 16 centavos a mais que nós.


Consegue visualizar que é muito mais fácil encontrar um japonês com dinheiro do que um brasileiro? São quase 7 dólares para 126 milhões de japoneses, frente ao nosso QUASE “1 dólar” para 213 milhões de brasileiros. Até a China, com seus 1,398 bilhão de habitantes, possui uma riqueza média (12,66) maior que o Brasil, com seus 0,213 bilhão de habitantes (4,64). E, da mesma forma que a riqueza está mal distribuída entre os países, ela também está mal distribuída dentro deles. Só por aqui são 65 bilionários, que possuem, juntos, mais de 1 trilhão de reais. Somados aos 294 mil milionários (em dólar), o país apresenta 0,1% da sua população com uma riqueza no valor do seu PIB, sendo que mais de 70% da população brasileira possui um patrimônio menor que 50 mil reais (menos de 10 mil dólares). Mais, aqui.


Por conta desses dados, o Brasil é considerado um dos países mais desiguais do mundo, se não o mais desigual, porque, mesmo sendo o 16º mais rico (de acordo com a lista apresentada neste texto), ou estar entre as 10 nações mais ricas, de acordo com o seu PIB, metade da sua população vive com R$ 438,00 mensais (em torno de 80 dólares), e 21 milhões de brasileiros (10% da população) sobrevive com menos de 3,73 reais por dia. Mais, aqui.


E o que isso tudo significa?


No quesito social, basta saber das notícias. A violência nas nossas cidades só faz aumentar, onde as principais vítimas são aquelas que não possuem renda para manter helicópteros, carros blindados e seguranças.


No quesito econômico, podemos observar situações como essa, que vou apresentar (condizente com o meu histórico profissional): Se juntarmos a quantidade de aeronaves das todas as empresas aéreas regulares brasileiras (Gol, Azul e Latam Brasil, mais as pequenas), o total não chega a 500 aviões. A título de comparação, só a American Airlines possui quase mil. O mesmo acontece com a United e a Delta Airlines. E os Estados Unidos possuem outras empresas aéreas, como a Southwest, que possui mais de 600 aviões, a JetBlue e a Alaska, com mais de 300 cada uma (e não estou computando os aviões da Hawaiian, Frontier, Spirit, Republic, etc).


Por cima, os EUA possuem, pelo menos, 4 (quatro) mil aeronaves em suas empresas aéreas regulares, para uma população de 328 milhões de habitantes, enquanto nós temos menos de 500, para uma população de praticamente 2/3 da deles. Mas como o dinheiro não está aqui no Brasil (lembra que 30 dólares - daqueles 100 - estão nos EUA, enquanto 98 centavos estão aqui, e ainda mal divididos?) apenas uma parte da nossa população (estimada em 70 milhões de pessoas) possui renda para comprar passagens aéreas. Os últimos dados concretos que tenho, aqui, são de 2004, e apontavam para 65 milhões (se você tiver dados concretos mais atuais, por favor, informe-os nos comentários).


Mas você deve estar se perguntando o que isso tem a ver com o crescimento da obesidade da população (e aqui, a questão é de saúde pública, o que influencia nos gastos públicos). Esse aumento da obesidade populacional, assim como os casos de doenças crônicas (como câncer e diabetes), têm parte de sua origem nessa desigualdade, e podem ser comprovadas quando vamos aos supermercados.


Da próxima vez que você for a um, repare a quantidade de produtos que se vendem como uma coisa mas, na realidade, são outra. Sucos que não são sucos, mas néctares, ou refrescos (cheios de ingredientes químicos que barateiam e engordam); Iogurtes que não são iogurtes, mas bebidas lácteas (com mais açúcar e produtos químicos, que também engordam); Leites condensados que não são leites condensados, mas misturas lácteas. E a lista segue com outros produtos “genéricos”, mais baratos, porque são produzidos com subprodutos de menor qualidade. Até o nosso amado chocolate, de marcas tradicionais como Nestlé, Lacta e Garoto, tem sua quantidade de cacau diminuída drasticamente, ano a ano, e trocada por aditivos químicos sabor chocolate, além de açúcar e gordura.


Você deve estar pensando: “Ah, mas esses produtos engordam por sua natureza”.


E eu concordo com vc. Mas, aliado à menor qualidade dos subprodutos "genéricos", que engordam mais que seus originais, o custo dos alimentos industrializados, e/ou processados, se tornou infinitamente menor em comparação aos alimentos saudáveis.


Faço um desafio a você: Tente viver com os 438 reais mensais com os quais metade da população vive. Comprove se consegue comprar frutas, verduras, leguminosas, proteínas, carboidratos, para manter seu corpo balanceado durante um mês (não esquecendo que uma parte dessa renda serve para pagar as contas mensais, como água, luz, moradia, etc). Depois, faça uma comparação com o valor que você gastaria com produtos processados industrializados que caberiam dentro desse orçamento.


A questão é que os produtos destinados aos habitantes médios de países pobres não possuem a mesma qualidade que os seus similares em países ricos, já que os habitantes médios de sociedades ricas possuem mais dinheiro que os habitantes médios de países como o Brasil (e nem vou entrar no assunto do quanto a má alimentação pode ser prejudicial no desenvolvimento mental de crianças em idade escolar).


Deixo esse link para você confirmar os 89 centavos de euro que custa uma barra de chocolate ao leite Milka na Holanda, considerada popular na Europa, como a Lacta é por aqui (ambas marcas propriedade da Mondalez International). Um detalhe: A Holanda é considerada um dos países com o maior custo de vida dentro da Comunidade Europeia, o Euro está em torno de 6,20 reais, e o salário mínimo na Holanda está em torno de 1.600 Euros (mais, aqui).


Poderia ainda falar de embalagens, onde o vidro (mais caro) é amplamente usado para o armazenamento de alimentos na Europa, e o plástico (mais barato) é amplamente utilizado em países mais pobres (sobre cuidados com o plástico, aqui).


Tudo isso (e muito mais do que vivenciamos diariamente) é reflexo dos “98 centavos” que estão por aqui e, ainda assim, mal distribuídos. Qualquer comparação com os filmes Elysium, Pequena Grande Vida e O Preço do Amanhã é mera “coincidência”.


A verdade é que, se os “100 dólares” do mundo fossem divididos igualmente entre os quase 8 bilhões de “almas”, que nesse planeta tão injusto se encontram, todos no mundo poderiam viver uma vida digna. E um preceito filosófico indica que, se todos nós tivéssemos plena certeza de que, após nossa morte, reencarnaríamos de forma ALEATÓRIA (ao acaso) em uma família qualquer deste planeta, não haveria pobreza, pois a simples chance de nascer na pobreza faria com que TODOS nós não deixássemos que essa mazela ocorresse no nosso planeta.


Mas ainda precisamos nos desenvolver muito como seres humanos e cidadãos para isso. E é justamente pensando em como ajudar nesse desenvolvimento que a CIVISPORÃ elabora o seu trabalho, produzindo camisetas para nós, seres humanos, e nossos amigos peludos, com o propósito de conscientizar a população de que a sociedade atual é o resultado daquilo que somos no dia a dia, e de que nossas atitudes transformam a sociedade, positiva – ou negativamente.


Alguns dos textos estampados nas suas camisetas podem parecer um pouco duros, pois repreendem atitudes prejudiciais; outros apresentam um convite a juntar “lé com cré”; outros são motivacionais. Mas todos eles nos fazem pensar e possuem o mesmo objetivo: lembrar que somos nós que construímos o Brasil e que cabe a nós melhorar a nossa sociedade. Sociedade esta que se iniciou no encontro dos colonizadores portugueses com os nativos indígenas que aqui já viviam.


E é refletindo esse início do nosso país que está estampado o propósito fundamental da CIVISPORÃ:

CIVIS: Sociedade, em Latim.

PORÃ: Bom, bonito, melhor, em Tupi.


Até a próxima e que todos nós, brasileiros, tenhamos a nossa desejada CIVISPORÃ!


MAIS DADOS:

Credit suisse Global report 2020 (link, aqui)

World Wealth report (link, aqui)

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