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Servir e Proteger 2




O tema do artigo de hoje estava programado para ser sobre cultura. Porém, os últimos acontecimentos no Brasil me fizeram mudar a publicação para um assunto que mexe comigo, com certeza deve mexer com você também, e me faz perguntar sempre: Que país é esse em que vivemos?


Mas antes de começar o papo, quero pedir a você que fique comigo nessa conversa, escutando essa música, que tem tudo a ver com o tema.


--- Pausa para a música iniciar ---


Na data de postagem do último artigo aqui do Sermoré, o Brasil assistiu chocado a atuação da Polícia Rodoviária Federal, em Sergipe, ao colocar um cidadão dentro do porta-malas da viatura, transformada em câmara de gás, que resultou na morte de Genivaldo de Jesus dos Santos.


Vou deixar os links com reportagens sobre o assunto que foram publicados em veículos de comunicação menos relevantes de alguns países (porque os mais relevantes, todos dos principais países falaram sobre), para você ter a dimensão de onde essa notícia chegou: Inglaterra, Alemanha, Itália, França, Japão, Coreia do Sul, China, Índia, Vietnã, Indonésia, Suécia,Australia, Turquia, Polonia, Tailândia.


No dia anterior, já havíamos recebido MAIS UMA notícia de chacina policial no Rio de Janeiro, em uma das inúmeras comunidades pobres da cidade.


E assim vamos acumulando histórias de terror e carnificina que se repetem constantemente e nos fazem perguntar: Que tipo de segurança pública o dinheiro dos nossos impostos está custeando?


Uma que nos deixa seguros? Ou que nos faz temer? Temer não apenas a criminalidade, mas também aqueles que deveriam nos proteger dela?


Que protege a vida? Ou que mata?


Uma que estimula a economia? Ou que impede investimentos?


Que traz turistas estrangeiros? Ou que os repele?


Se você tem medo da polícia, da mesma forma que tem medo dos bandidos, é porque alguma coisa de muito errado há com ela.


No ano passado eu escrevi uma trilogia que aborda o tema “Segurança Pública no Brasil”, já que segurança é uma palavra que não faz parte do cotidiano da nossa sociedade. Aconselho você a ler as três, nesta ordem: Servir e Proteger, Escolas do Atraso e Passado Presente.


São inúmeros os fatores que fazem com que tenhamos altas taxas de criminalidade social, e corrupção e letalidade policial elevada. Mas o maior deles chama-se DESIGUALDADE SOCIAL.


Quanto maior a desigualdade social, e maior o número de pobres de uma sociedade, maior são os seus índices de criminalidade.


E num país em que 70% de sua população vive com até 2 salários mínimos (mais, aqui), sem contar que este salário mínimo deveria ser quase 6 vezes superior ao atual para proporcionar vida digna (mais, aqui), não é difícil entender porque há tanta criminalidade no Brasil.


Quanto ao sistema policial brasileiro. Bom, ele é uma colcha de retalhos. Pagamos o serviço de três corporações policiais para fazer o serviço de uma... e da forma como você vê todos os dias nos noticiários: Polícia Civil, Investigativa; Polícia Militar, Ostensiva; e Guarda Municipal - um limbo inconstitucional que está fazendo o serviço das PMs pela metade do preço (já falei sobre ela no artigo Servir e Proteger).


Há anos a unificação das polícias militar e civil é debatida no Congresso. Até uma Proposta de Emenda à Constituição foi discutida no Senado, em 2013 - a PEC 51/2013 (mais, aqui e aqui).


A Polícia Militar, como o próprio nome diz, é MILITAR. E “a lógica militar é utilizada para aniquilar inimigos em confrontos contra forças agressoras que objetivam dominar e subjugar uma nação... Dentro da lógica militar, quase nunca é pensada a prisão de alvos, e sim, a sua eliminação física” (Leonel Radde, policial militar do Rio Grande do Sul e vereador da capital gaúcha).


Aconselho MUITO, MUITO, MUITO a leitura do artigo do Leonel, de onde tirei essa frase, já que ele explica detalhadamente o problema das polícias militares.


Desculpe a quantidade de MUITOs, mas é que você REALMENTE deve ler mais um pouquinho, para compreender a situação, e poder EXIGIR (com domínio de causa) dos seus representantes políticos, uma mudança na estrutura do sistema. Sistema esse que é pago por você, para proporcionar a sua segurança.


A título de conhecimento:


Salário Inicial Policial Civil/SC: R$ 6.000,00 - a partir de julho/2022 (mais, aqui).

Requisito: Ensino superior em QUALQUER área (que não seja específica, como para delegado, médico legista, psicólogo...).

Corporação mantida pelo Estado.


Salário Inicial Policial Militar/SC: R$ 4.845,82 (mais, aqui).

Requisito: Ensino superior em QUALQUER área.

Corporação mantida pelo Estado.


Salário Inicial Guarda Municipal Itajaí/SC: R$ 3.030,90 (mais, aqui).

Requisito: ENSINO MÉDIO.

Corporação mantida pelo Município.


Se você leu o artigo do Leonel Radde, vai entender que eu não sou contra a necessidade da polícia.


Eu sou contra a forma como o nosso sistema policial é posto e trabalhado na nossa sociedade (principalmente o militar e as guardas civis (estas últimas, preparadas pelas polícias militares).


Um sistema que capacita e remunera muito mal os seus policiais é um sistema que está fadado ao fracasso.


E assim vem sendo desde sempre.


Policial não pode pensar que bandido bom é bandido morto. A polícia é a representação FÍSICA da letalidade do Estado na sociedade civil e, por tal motivo, os policiais devem ser os primeiros a seguir as leis do Estado.


Quem age de acordo com o ditado “olho por olho, dente por dente” se porta como um terrorista talibã. Não pode exercer cargo público na sociedade regida pela Constituição Brasileira, muito menos nas corporações policiais do nosso país.


Precisamos URGENTEMENTE entender que o caminho de uma sociedade melhor está na capacitação de seres HUMANOS. E não de terroristas, que se sentem poderosos por portarem armas nas mãos. Para estes, o local é uma penitenciária, onde, pela lei, reeduca-se o sentenciado para o convívio social (uma outra situação que precisa ser readequada urgentemente no nosso país).


E é com esse enorme desejo de capacitar seres HUMANOS que a Civisporã elabora o seu trabalho, seja na publicação de conhecimento nos seus canais, seja produzindo camisetas para nós, seres humanos, e nossos amigos peludos.


Sempre com o propósito de sensibilizar a população de que a sociedade atual é o resultado daquilo que somos no dia a dia, e de que nossas atitudes transformam a sociedade, positiva – ou negativamente.



Alguns dos artigos apresentados aqui no Sermoré da Civisporã, ou nos textos estampados nas suas camisetas, podem parecer um pouco duros, pois repreendem atitudes prejudiciais; outros apresentam um convite a juntar “lé com cré”; outros são motivacionais.


Mas todos eles nos fazem pensar e possuem o mesmo objetivo: lembrar que somos nós que construímos o Brasil e que cabe a nós melhorar a nossa sociedade. Sociedade esta que se iniciou no encontro dos colonizadores portugueses com os nativos indígenas que aqui já viviam.


E é refletindo esse início do nosso país que está estampado o propósito fundamental da CIVISPORÃ:

CIVIS: Sociedade, em Latim.

PORÃ: Boa/m, bonita/o, melhor, em Tupi.

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