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Duas Realidades




Imagine a seguinte cena que eu vou descrever:


Numa sala de aula, onde a professora faltou e não há um adulto por lá, há duas crianças num dos seus cantos, constrangendo coleguinhas que não têm coisas da moda e não são considerados “descolados”.


No canto aposto há outras duas crianças assediando moralmente uma coleguinha negra e outra com trejeitos gays. Na mesa da professora, um grupo de crianças tenta quebrar as gavetas para aumentar suas notas no diário, enquanto outras duas andam pelos corredores vasculhando mochilas em busca de lanches alheios.


No fundo da sala é possível ver uma criança sendo ovacionada pela “galera” enquanto tenta fazer um pequeno buraco na parede (para espiar o banheiro vizinho à sala de aula), e outras duas fazendo bolinhas de papel com cola para jogar na cabeça das demais durante o recreio.


Antes de continuar com a descrição dessa cena, convido você a acessar esse link para escutar a música que separei para acompanhar o nosso papo.

--- Pausa para a música iniciar ---

Continuando a descrição, uma criança tenta defender aquelas que estão sendo constrangidas, e outra defende as que estão sendo assediadas. Outras duas tentam deter as que estão quebrando as gavetas da mesa, dizendo que vão contar tudo para a diretora.


Uma outra consegue tirar a lapiseira daquela criança que tentava fazer o furo para espiar o banheiro, enquanto um grupo detém as pequenas surripiadoras de lanches alheios.


Algumas crianças estão chocadas com tudo o que ocorre, sem saber o que fazer, outras estão sentadas no chão, conversando e rindo, alheias a tudo o que acontece. E

ninguém faz nada com as que estão fazendo as bolinhas de papel com cola, pois não sabem das intenções delas.


Agora, pra finalizar, informo que você é uma das crianças que está nessa sala!


Pergunto, então, com qual delas você mais se identifica e peço que você guarde sua resposta para si, pois, se você não reparou ainda, essa sala de aula existe... e todos os dias das nossas vidas.


Ela é uma metáfora da sociedade em que vivemos!


Acredito que há apenas dois tipos de “crianças” nessa “sala” em que vivemos.


Há aquelas que maltratam, mas também há as que cuidam; há aquelas que querem se dar bem acima de tudo e de todos, mas há aquelas que possuem senso de justiça; há as alheias, e há as conscientes; há ainda aquelas que não sabem o que fazer, mas há aquelas que mostram como fazer.


Então, qual é a diferença entre esses dois tipos de que falei?


Para mim é estar, ou não, desperto.


Acredito que todos nós, seres humanos, somos egoístas por natureza.


Não há como pensar em coletivo, sem antes pensar em unidade. Não há como zelar pelo outro sem antes zelar por si mesmo.


Aliás, é preciso primeiro colocar a máscara de oxigênio em si, para depois ajudar o passageiro ao lado (mesmo que seja um filho), no caso de uma despressurização a bordo de um avião. Do contrário, ambos podem morrer (já fui comissário de voo).


A diferença, para mim, é que há os egoístas despertos e os egoístas adormecidos.


Os despertos já abriram os olhos para o fato de que só haverá paz para si próprios quando houver vida digna para TODAS AS PESSOAS Serem e Terem.


E trabalham em prol disso.


Sabem que, se só eles forem e tiverem, serão violentados em algum momento.


Sabem que a casa dos vizinhos também precisam ser dignas. Do contrário, invadirão as suas próprias.


Sabem que as ruas e bairros vizinhos precisam ser dignos, do contrário invadirão os seus. E o mesmo pensamento vale para suas cidades, estados e países.


Entenderam que se TODOS tiverem acesso real a Ser e Ter, não haverá conflitos. E em consequência, viverão em sociedades melhores para si mesmos (por isso o termo “egoísmo” desperto).


Também entendem que é preciso ser Bom - e não bonzinho - para despertar os adormecidos, pois sabem que podem gerar conflitos com eles (a última coluna da Fernanda Young retrata bem isso).





Os adormecidos, por sua vez, ainda não conseguiram internalizar esses conhecimentos.


Os outros não existem. A dor e a escassez alheia não importam, enquanto eles (e os seus) forem e tiverem (mais, aqui).


Falam em liberdade (mesmo que seja exploratória) e sequer entendem como chegamos numa realidade onde há menos de 5 mil bilionários frente a bilhões em escassez no mundo todo. Realidade essa que produz a maior parte da criminalidade que vivenciamos no dia a dia (mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui)


Se ninguém os frear, desflorestam, poluem, contaminam, extinguem e podem tornar inabitável a única casa em que todos os 8 bilhões de pessoas do mundo têm para viver (mais, aqui). E ainda planejam explorar outros planetas, da mesma forma que o novo mundo é explorado a mais de 500 anos (mais, aqui).


Os adormecidos podem até parecer inteligentes, pois são, geralmente, economicamente bem de vida (mais, aqui).


Muitos deles conversam e riem entre si, mas estão alheios aos problemas e as desigualdades sociais que, por fim, acabam produzindo perdas e danos a si mesmos (mais, aqui).


Podem até entender que TODOS vivem e trabalham por uma vida melhor para si mesmos (e os seus). Mas não entendem que cada um de nós utiliza as ferramentas que possuímos para alcançar esse viver melhor. Não da forma como sabemos, mas da forma como conseguimos manuseá-las (mais, aqui).


Mas será que os adormecidos querem perder suas ilusórias vantagens?


Pois o dia em que todos estiverem capacitados a Serem Humanos, o sistema em que vivemos cai como um gigante castelo de cartas frente ao pequeno sopro de uma criança.


Sopro esse que se transformará num furacão de felicidade, quando todas as crianças a soprar estiverem DESPERTAS.


E é com o propósito de somar sopros a esse furacão que a Civisporã elabora o seu trabalho, seja na publicação de conhecimento nos seus canais, seja produzindo camisetas para nós, seres humanos, e nossos amigos peludos.

Sempre com o propósito de sensibilizar a população de que a sociedade atual é o resultado daquilo que somos no dia a dia, e de que nossas atitudes transformam a sociedade, positiva – ou negativamente.



Alguns dos artigos apresentados aqui no Sermoré da Civisporã, ou nos textos estampados nas suas camisetas, podem parecer um pouco duros, pois repreendem atitudes prejudiciais; outros apresentam um convite a juntar “lé com cré”; outros são motivacionais.

Mas todos eles nos fazem pensar e possuem o mesmo objetivo: lembrar que somos nós que construímos o Brasil e que cabe a nós melhorar a nossa sociedade. Sociedade esta que se iniciou no encontro dos colonizadores portugueses com os nativos indígenas que aqui já viviam.

E é refletindo esse início do nosso país que está estampado o propósito fundamental da CIVISPORÃ:

CIVIS: Sociedade, em Latim.

PORÃ: Boa/m, bonita/o, melhor, em Tupi.



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